terça-feira, 23 de maio de 2017

Folclórica


Para Elisa Nunes

Eu pressinto tudo
feito uma cigana por acidente

se estou numa manhã tranquila
a observar o som dos pássaros

se eu vejo num dia de paz
os raios de sol com seus coloridos

então o furacão da vida
maternal e implacável

forma-se diante dos meus olhos
feito um redemoinho triste

um vento confuso e repleto
de grãos de felicidade desavisados

que bailam juntos sem perceber
que é proibido na vida ter prazer

Neste baile desconhecido
que sou incapaz de controlar

eu sou a menina tinhosa
que quer jogar verso e dançar

eu sou a menina- mulher que dança
de saia colorida e cabelos de fitas

que seduzida pelo riso
pirraça contra a tristeza da vida

eu sou aquela que a dor peita
marcando o compasso no pé:

"entristeça-me se puder!
mate-me se puder !"

a dor faz meu maracatu de baque virado
a tristeza faz meu axé

a ventania me debruça e sem querer
faz meu corpo se erguer

num movimento de protesto
para que a dor não me vença

quanto mais forte o vento
a me lançar para baixo

mais firme me levanto
mais forte meu gingado!

bela como a moça que samba
graciosa como a dama do passo!